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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SmartKids

 

Aprenda mais :SAMBA


Samba
Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba.
(A Voz do Morro - Zé Kétti)
Muitos que lerem esse especial talvez nunca tenham ouvido nem falar dessa música, mas prestem atenção na letra... Ela expressa muito bem o valor que o brasileiro dá a um ritmo que é bem nosso: o Samba!
Além disso, todos sabem que, em qualquer lugar do mundo, falou de samba falou de Brasil, por isso, dia 2 de dezembro foi instituído o Dia Nacional do Samba.
Um pouco da história
O samba surgiu a partir da mistura de uma série de ritmos musicais provenientes da África. Quanto á origem do nome, ainda não há consenso entre os pesquisadores, mas o que se sabe até agora é que tem relação com “semba”, termo ligado às danças típicas tribais do continente. Aqui por nossas terras, o primeiro registro do uso da palavra samba data de 1842.
O ritmo chega na época do Brasil Colônia, com a chegada da mão de obra escrava. O primeiro samba gravado no Brasil foi "Pelo Telefone", composto pelos baianos Mauro de Almeida e Donga em 1917. Este samba marca a história dos ritmos carnavalescos. Nessa época ainda imperavam as marcinhas de salão, mas logo depois o ritmo ganha as ruas e se diferencia nas diversas representações do carnaval do país. Neste período, os principais sambistas são: Sinhô Ismael Silva e Heitor dos Prazeres .
Com a difusão do rádio, na década de 30, o samba chega até os lares e os principais sambistas da época eram: Noel Rosa, com o samba "Conversa de Botequim"; Cartola, autor de "As Rosas Não Falam"; Dorival Caymmi com o famoso samba "O Que É Que a Baiana Tem?"; Ary Barroso com "Aquarela do Brasil" e Adoniran Barbosa com o inesquecível "Trem das Onze".
Entre as décadas de 70 e 80, tem início uma nova geração de sambistas, com estilos diferenciados, mas todos fizeram muito sucesso e podemos destacar: Paulinho da Viola, Jorge Aragão, João Nogueira, Beth Carvalho, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc.
Não podemos deixar de referenciar personagens sambistas que fizeram história: Pixinguinha, Ataulfo Alves, Carmen Miranda (sucesso no Brasil e nos EUA), Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Demônios da Garoa, Isaura Garcia, Candeia, Elis Regina, Nelson Sargento, Clara Nunes, Wilson Moreira, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Lamartine Babo.
Principais estilos de samba
Samba-enredo: tem início na década de 30 e tem esse nome porque a letra do samba tem relação com a temática escolhida pela escola de samba para o desfile. Esses temas geralmente estão ligados a questões socioculturais e define a coreografia e cenografia utilizada pela escola de samba no desfile.
Samba de partido alto: tem letras improvisadas e tentam representar a realidade da população mais carente. Os compositores mais conhecidos desse estilo de samba são: Moreira da Silva, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho.
Pagode: é característico da cidade do Rio de Janeiro. Surge na década de 70 e logo ganhou as noites cariocas. Seu ritmo é repetitivo e utiliza instrumentos de percussão e sons eletrônicos. Espalhou-se rapidamente pelo Brasil, graças às letras simples e românticas. Os principais grupos são : Fundo de Quintal, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Raça Negra, Katinguelê, Patrulha do Samba, Pique Novo, Travessos, Art Popular.
Samba-canção: surge na década de 1920, com ritmos lentos e letras sentimentais e românticas.
Samba carnavalesco: são as marchinhas e sambas feitos para dançar e cantar nos bailes carnavalescos. Os mais conhecidos são: Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé, Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.
Samba-exaltação: as letras têm como principal foco a exaltação das maravilhas do Brasil, com acompanhamento de orquestra. O principal destaque deste estilo é "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso gravada em 1939 por Francisco Alves.
Samba de breque: é um estilo descontraído em que há paradas rápidas, onde o cantor pode incluir comentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. Um dos mestres deste estilo é Moreira da Silva.
Samba de gafieira: criado na década de 1940 e tem como característica o acompanhamento de orquestra. Rápido e muito forte na parte instrumental, é muito usado nas danças de salão.
Sambalanço: é um estilo de samba com influência do jazz que predominou na década de 50 em boates de São Paulo e Rio de Janeiro. Seu maior representante é Jorge Ben Jor.
Curiosidades
As tradicionais gafieiras, predominantes no Rio de Janeiro na década de 20, eram espaços de danças que ganharam esse nome porque, segundo os mais entendidos, seus frequentadores dançavam de qualquer jeito, cometendo várias gafes. O ritmo é uma mistura de samba e de chorinho.
(fonte: Guia dos Curiosos)

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CARA PINTADA


Cara PintadaMuito além de deixar as pessoas mais bonitas, pintar o rosto e o corpo tem origens históricas e marca a identidade e cultura de vários povos.
Assim, neste especial vamos conhecer um pouco da história do uso da maquiagem e como ela ainda exerce papel importante na vida de pessoas e grupos.
Já nos estudos antropológicos do homem na Pré – História já se percebe a necessidade de enfeitar-se e, de alguma forma diferenciar as pessoas. O homem pré-histórico usavam colares feitos de ossos, roupas feitas de pele de animais e alguns também pintavam seus corpos. O material usado para essas pinturas eram retirados da natureza, basicamente o ocre, que é um tipo de terra fina que contém argila e óxido de ferro hidratado. Por apresentar várias tonalidades era ideal para fazer a diferenciação entre pessoas do grupo.
No Egito essa prática se acentua, sendo rotina para homens e as mulheres o cuidado com a beleza. Existiam produtos e utensílios específicos para maquiagem. Na verdade a maquiagem para os egípcios era um ritual, pois achavam que a espiritualidade e a aparência estavam intimamente relacionadas, acreditavam que, quanto melhor era a aparência, maior era a espiritualidade.
A civilização grega tinha como característica o culto ao corpo, apreciavam a higiene, os cuidados com o físico e a prática de exercícios constante, assim, o uso da maquiagem também era importante. As mulheres usavam produtos principalmente para valorizar contorno dos olhos, deixando-os mais sombreados.
Em Roma, na antiguidade o uso de maquiagem e produtos para evitar o envelhecimento era frequente. Homens e mulheres passavam horas cuidando da aparência. Esses produtos eram feitos basicamente com gordura animal e extratos naturais.
Na Idade Média, com o predomínio das ordens da igreja, o uso de maquiagem é relacionado a características malignas e as mulheres que fossem flagradas usando maquiagem sofriam graves punições.
No Renascimento, pintar o rosto volta a ser um hábito valorizado, dava certo status e era sinal de elegância.
Entre os Séculos XVI e XVIII, o uso da maquiagem chegou ao seu apogeu. Era elegante usar maquiagem tanto por homens como por mulheres, que não pintavam apenas o rosto, mas todo o corpo com pó de arroz ou até mesmo farinha de trigo, pois era moda ter a pele bem clara. As bochechas e as bocas eram rosadas e os olhos eram delineados em preto.
No início do Século XIX, mudanças sociais ocorrem e o símbolo de mulher é aquela tem aparência, com pele clara e sem maquiagem. As mulheres que pintavam o rosto eram consideradas vulgares, portanto só eram usadas nos bordéis e teatros. A mulher tinha que manter uma aparência delicada. Nesta época as mulheres tinham o cuidado de não se expor ao sol, para evitar a possibilidade de bronzeamento da pele, uma vez que as mulheres que trabalhavam no campo, pela necessidade de se expor ao sol, tinham a pele mais morena. Assim, cor da pele passa a ser um diferenciador socioeconômico.
No Século XX novas mudanças sociais, a mulher assume outros papéis. Na década de 20 a busca pela igualdade de papéis entre homens e mulheres. É uma era em que a mulher procura se autoafirmar na sociedade e com isso vieram às mudanças. As mulheres usam o rimel, pintavam os olhos de preto usando sombras, e passavam rouge nas bochechas em exagero, e pintavam a boca em formato de coração. Nos anos 60 são marcados por acontecimentos sociais significativos: surge a minissaia, pílula anticoncepcional começa a ser usada e a maquiagem passa a ter tendências liberais. A maquiagem era importante principalmente para o público jovem. O contorno dos olhos era importante e os batons vermelhos são substituído pelos bem claros ou mesmo brancos. Os produtos preferidos eram os mais práticos e encontrava-se nas prateleira produtos cada vez mais diferenciados., cheios de ideias novas.
A partir da década de 90, a beleza não obedece mais regras, a imposição perde efeito e dá passagem ao estilo e personalidade própria. Passam a existir vários tipos de perfis, traçados pelas tribos urbanas ainda encontradas por todas as partes, como as patricinhas, mauricinhos, cults, clubbers, punks, góticos, surfistas, roqueiros, cada um com sua forma de usar a pintura no rosto com sinal de identidade grupal. A partir dessa década surgem também os milagrosos cremes redutores de rugas, e o botox fazem tanto homens como mulheres buscar a perfeição. Os produtos encontrados são extremamente diversificados e marcam tendências que permanecem até a atualidade.
Pintura corporal e tatuagens
A tatuagem é uma técnica baseda na pigmentação subcutânea através de agulhas. Tatuar o corpo está associada a deixar regitrado símbolos que são significativos para a pessoa ou grupos. A técnica é usada desde a antiguidade, como por exemplo a identificação de grupos sociais, marcação de prisioneiros, ornamentação e camuflagem.
O relato mais antigo do uso da tatuagem foi descobert991, nos Alpes, num homem do gelo, uma múmia de aproximadamente 5.300 anos que tinha a maior parte do seu corpo pigmentado.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Carnaval - Revista Nova Escola


10-erros-comuns

TESTE

O que você sabe sobre o carnaval no Brasil?

Neste teste, apresentamos nove questões para você verificar seus conhecimentos sobre o carnaval no Brasil

O carnaval brasileiro possui diferentes manifestações culturais, que podem ser abordadas em várias disciplinas. Preparamos um teste para medir o que você sabe sobre o carnaval. Antes de fazê-lo, leia o especial que preparamos sobre os festejos carnavalescos pelo Brasil. Responda às perguntas. Ao final de cada uma, apresentamos a alternativa que demonstra maior grau de conhecimento. As informações deste teste foram baseadas no livro Almanaque do Carnaval, do historiador carioca André Diniz. Clique no iniciar e faça o teste.




Carnaval

O Brasil possui diversas formas de comemorar o carnaval. Aproveite o período para trabalhar com seus alunos as diferentes manifestações culturais da festa pelo país


Ritmos dos carnaval pelo Brasil

Clique nas imagens abaixo:
Carnavais pelo Brasil
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Fonte : http://revistaescola.abril.com.br


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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carnaval Dicas

CULTURA

10 dicas para o Carnaval não atrapalhar as aulas de seu filho

Para além dos bailes na escola, o Carnaval ocupa a salas de aula e mostra que a cultura popular pode - e deve - estar no conteúdo curricular do seu filho

 
Muitos colégios aproveitam a data para abordar o folclore, a música, as artes plásticas e toda a produção cultural do carnaval
 
Carnaval é uma delícia. Mas não pode atrapalhar a aprendizagem do seu filho. Se a escola substituir as aulas por uma festa, você tem o direito de reclamar. Ou pior: se a escola simplesmente cancelar as aulas, você não só pode como deve reclamar. Os 200 dias letivos a que seu filho tem direito não podem ser trocados apenas por um "oba-oba".
"Estávamos cansados de ver as crianças simplesmente pulando no salão", diz Rosana Gomes de Faria Mello, coordenadora de eventos do Colégio Nossa Senhora da Ressureição, em São Paulo . Ela conta que, abordando o Carnaval de forma divertida e educativa ao mesmo tempo, conseguiu reduzir - e muito! - as faltas no período. "Hoje os alunos praticamente não faltam mais na sexta-feira que antecede o feriadão", afirma.
Em muitas escolas, a festa é conteúdo para as aulas, e, ao invés de ser apenas um momento de descontração para os alunos (ou um pretexo para "matar aula"), mostra que é possível aprender brincando, dançando e cantando. "O Carnaval é um conteúdo de aprendizagem como qualquer outro, faz parte do currículo. Não trocamos um conteúdo por outro", diz Maria Andrade Antonieta Giovedi, diretora da Educação Infantil do Colégio Oswald Andrade, em São Paulo.

Samba, bateria, desfiles, marchinhas, maracatus, sambas de roda, afoxés, frevo, entrudo, blocos de rua. Essas são algumas das manifestações da cultura popular brasileira que encontram no período do Carnaval o espaço certo para ocupar as salas de aula. Associadas ao conteúdo escolar, essas atividades mostram para os alunos valores culturais e históricos do Brasil que vão muito além do Carnaval mostrado na TV.

Para além das fantasias e máscaras solicitadas pelas instituições de ensino, será que o valor simbólico do Carnaval é realmente percebido e transmitido para o seu filho? Pensando nos temas culturais que envolvem o carnaval no Brasil, faz parte da aprendizagem escolar desmistificar lendas associadas ao Carnaval e matar a curiosidade dos alunos com relação aos seus símbolos culturais e históricos. Mas como fazer com que a comemoração do Carnaval não comprometa a aprendizagem dos alunos? Leia abaixo algumas dicas para transformar o Carnaval em conteúdo educativo de verdade, e não apenas em uma festa sem siginificado.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Abordar os aspectos históricos do Carnaval
O Carnaval diz muito sobre a história do Brasil e da antiga sociedade europeia. Segundo algumas correntes, o Carnaval teria como marco inicial os cultos agrários de povos antigos como os egípcios, persas, fenícios e gregos. As comemorações marcavam o início da primavera, quando os povos dançavam ao redor de fogueiras, usando máscaras e adereços para a garantia de uma boa colheita. A festa só surgiu como verdadeira prática pagã (sem crença religiosa) no Império Romano. Depois, foi incorporada ao calendário católico pela Igreja e chegou ao Brasil junto à colônia portuguesa. Aqui a comemoração foi encorpada pelas manifestações culturais dos negros escravos, a grande massa popular no Brasil do século 19. Todo esse conteúdo histórico pode ser transmitido em aula para os alunos.
Ensinar o conteúdo de forma lúdica
Atividades relacionadas à expressão corporal, como danças e manifestações culturais, e trabalhos de leitura histórica e literária são alguns exemplos de possíveis conteúdos para estudo e pesquisa. "Misturar a história ao lúdico fantasioso é um exercício possível", diz Rosangela Francischini, coordenadora do Núcleo de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da Universidade de Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "O Carnaval permite que as crianças aprendam de forma lúdica", completa.
Passar noções de coletividade
Adriana Freyberger, doutora em Educação pela USP, conta que a maioria das atividades propostas nas escolas no período do Carnaval têm como desafio desenvolver nas crianças percepções de coletividade. Para ela, é possível transformar os espaços de ensino tradicional em ambientes livres, com jogos corporais e espaços para a imaginação. "É possível transformar os espaços do parque, das salas e as áreas livres em espaços de jogos e brincadeiras, subvertendo seus usos e transformando a Educação séria na educação do riso, da alegria e do prazer em aprender", diz.
Envolver a família nas atividades
O período do Carnaval é bastante propício para promover uma maior aproximação da escola e da família. Os professores podem propor parcerias simples, como uma pesquisa em família sobre a comemoração ou uma lição de casa criativa para as crianças. Na Te Arte Criatividade Infantil, as professoras incentivam os adultos a contarem aos pequenos as histórias do Carnaval de suas épocas. Nas escolas em que a festa de Carnaval é levada para as ruas (vale a calçada em frente à instituição de ensino ou mesmo o estacionamento), a interação com os pais e com a comunidade do entorno se torna mais fácil. Porém Rosangela Francischini, coordenadora do Núcleo de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da Universidade de Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lembra que "as atividades pedagógicas são de responsabilidade dos professores e os pais são apenas convidados".
Tratar de diferenças culturais
Um tema interessante para ser tratado nesse período sãos as diferenças culturais. Existe Carnaval em outros países? Como é a festa ao redor do mundo? Na creche da USP, as diferentes nacionalidades dos pais (alunos, funcionários e professores da universidade) contribuem para boas histórias. Lá os alunos ficam sabendo como são as comemorações em diferentes países, tudo graças à participação dos pais dos alunos.
Falar de religião de uma maneira diferente
A história do Carnaval como conhecemos hoje está relacionada à história do cristianismo. A festa antecede a quaresma, que é um período de 40 dias de sacrifício dentro do calendário judaico-cristão. Porém, no Brasil, a comemoração ganhou contornos diferentes, relacionando-se às culturas populares indígenas e africanas desde a época do Império (século 19). A coordenadora de Estudos Sócio-Culturais da Infância e Adolescência da UFRN, Rosangela Francischini, destaca que a festa é ligada ao calendário religioso, mas tem caráter profano. Esse vínculo com a religião permite uma abordagem do catolicismo e de suas influências no Brasil. "O Carnaval atual tem relação com o passado, quando a Igreja Católica teve a necessidade de converter as manifestações pagãs realizadas no Império Romano. É importante mostrar essa virada da sociedade", diz Duarte Magalhães Barbalho, mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e professor de História no Coluni (Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa), em Minas Gerais. Outras religiões também podem ser abordadas quando se fala de Carnaval. Na Creche\Pré-escola Central Coseas (Coordenadoria de Assistência Social e Saúde) USP, a professora Cris Mara Corrêa costuma apresentar diversos ritmos aos seus alunos durante o carnaval. Ela afirma que consegue trabalhar com músicas de candomblé, por exemplo. "Não é uma adoração aos cultos, só estou dizendo a eles [alunos] que existe esta e aquela manifestação cultural. As crianças precisam ter referências. Eu estou falando para elas o que existe no mundo, e não como elas devem pensar", conta.
Explorar o folclore regional
No período que antecede a festa, além do caráter pedagógico de se ensinar para os alunos o valor da diversidade cultural brasileira, o Carnaval permite a exploração do folclore regional do país. Mencionar a existência de manifestações como o maracatu, o frevo, o bumba-meu-boi, o samba de roda e a festa de Parintins no Amazonas é proporcionar aos estudantes uma viagem por diversos "Brasis". Rosana Gomes de Faria Mello, coordenadora de eventos do Colégio Nossa Senhora da Ressurreição, em São Paulo, conta que a cada ano a escola aborda o carnaval de um Estado brasileiro. Em 2011, é a vez de os alunos falarem sobre a festa de carnaval de Parintins, no Amazonas, a partir do tema "[Boi] Caprichoso versus [Boi] Garantido". "Encontramos um tema para estimular a pesquisa e transmitir a história da Amazônia para os alunos. Vamos tirar proveito da pesquisa pedagogicamente, num trabalho multidisciplinar", conta a coordenadora. Na Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa, o professor Duarte Guimarães diz que também já conseguiu trabalhar com seus alunos manifestações como o maracatu, frevo e afoxé no período de carnaval. "Teve até uma turma que pesquisou e apresentou a dança e a música do afoxé Filhos de Gandhi [grupo tradicional da Bahia]", conta.
Trabalhar gêneros e sexualidade
A partir do caráter lúdico das fantasias, até mesmo questões de gênero podem ser tratadas com os estudantes. Afinal, a divertida brincadeira de se fantasiar do outro sexo (menino como menina e vice-versa) pode gerar debates interessantes sobre o papel e comportamento social do sexo alheio, como sugere o professor Duarte Guimarães, Escola de Aplicação da Universidade Estadual de Viçosa: "O Carnaval é a festa em que o invertido é permitido, ninguém censura. Na nossa escola, os alunos se fantasiam e invertem os papeis sem nenhum tipo de caricatura que ofenda. Eu trabalho a questão de gênero e o combate à homofobia em atividades lúdicas carnavalescas", conta.
Valorizar a música brasileira
Chiquinha Gonzaga, Braguinha (também conhecido como João de Barro), Ary Barroso, Noel Rosa, Lamartine Babo e Irmãos Valença são alguns dos mais importantes compositores populares do Brasil do século 20. O Carnaval é um bom período para apresentar artistas como esses às crianças. Um intercâmbio entre a época dos pais e dos filhos pode ser conseguido a partir da apresentação de compositores populares brasileiros nas aulas. "Uma vez, uma aluna minha, de 2 anos, disse para a mãe 'eu gosto de Babo'. A mãe entendeu só depois que a filha estava falando de Lamartine Babo. Mãe e filha passaram um mês ouvindo Lamartine Babo no carro, na volta da escola", conta Cris Mara Corrêa, professora de dança da Creche\Pré-escola Central Coseas (Coordenadoria de Assistência Social e Saúde) USP, que costuma mostrar marchinhas para os seus alunos, sempre passando referências sobre seus autores.
Incentivar a abordagem interdisciplinar

Cultura

7 maneiras de pular o Carnaval no Brasil

Conhecer manifestações culturais de todo Brasil se torna uma aprendizagem para os alunos, pais e professores


                                                  Texto Mariana Queen
Educar
Foto: Karine Basilio
O Frevo é um dos ritmos que pode ser trabalhado na escola durante o Carnaval
Conheça algumas manifestações culturais brasileiras que, na época do Carnaval, encontram uma brecha para entrar no conteúdo escolar de maneira natural e curiosa. Muitos dos ritmos citados, bem como o próprio Carnaval, têm vínculos com religiões, principalmente as de matriz africana. Essas manifestações populares podem ser trabalhadas com os alunos a partir de um enfoque cultural e histórico. Saiba um pouco mais sobre elas e sobre os diversos "Brasis" que envolvem essas culturas.
Para ler, clique nos itens abaixo:
Entrudo
É basicamente o primeiro formato do carnaval popular brasileiro, e surgiu durante o Império (século 19). O nome da manifestação significava "entrada". Tratava-se de celebrações populares realizadas pelos escravos negros nas ruas das cidades. Para a folia, eram usados artifícios como água perfumada e batuques animados por bumbos e tambores. Foi depois desse tipo de festa nas ruas que surgiram os primeiros clubes carnavalescos precursores das atuais escolas de samba.
Marchinhas
Esse gênero musical tem origem nas marchas populares portuguesas e foi o principal ritmo do Carnaval brasileiro da década de 1920 à década de1960. Também chamada de marcha de Carnaval, as marchinhas tiveram a pianista Chiquinha Gonzaga como mãe de composição. As marchinhas atingiram seu auge com as interpretações de nomes consagrados da música popular brasileira, entre eles Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, João de Barro, o Braguinha, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.
Samba
Esse ritmo teve sua origem musical e cultural no samba de roda realizado em Estados nordestinos do Brasil. O gênero musical ganhou uma conotação urbana no Rio de Janeiro, onde se misturou com outros ritmos como a polca, o maxixe e o xote. A partir daí, o samba urbano e carnavalesco tomou as ruas de muitas cidades do Brasil.
Maracatu
Existem dois tipos de maracatu, o de Baque Virado, também conhecido como Maracatu Nação, e o de Baque Solto, também chamado de Maracatu Rural. O registro mais antigo que se tem sobre o Maracatu de Baque Virado data de 1711, mas sua origem é incerta. O que se sabe é que ele surgiu em Pernambuco e vem se transformando desde então. A manifestação tem relação com o candomblé (religião de matriz africana) e com a coroação de escravos negros, antiga estratégia de dominação desse povo pelos colonizadores. O ritmo é marcado por instrumentos de percussão e a dança se desenvolve num cortejo que conta com rei, rainha e toda uma corte simbólica. Já o Maracatu Rural não tem vínculo religioso e se associa ao folclore pernambucano. As personagens principais dessa manifestação são os caboclos de lança, representados por trabalhadores rurais que com as mesmas mãos que cortam cana, lavram a terra e carregam peso, bordam suas fantasias e tocam o ritmo acelerado da música.
Afoxé
É manifestação afro-brasileira também chamada de candomblé de rua. O termo afoxé provém da língua africana iorubá. O ritmo se mostra nas ruas misturando dança, cantos religiosos e batucadas feitas com instrumentos de percussão.
Samba de roda
É a origem do samba brasileiro. Esse ritmo nasceu na Bahia, mais precisamente no Recôncavo Baiano, e está associado à cultura afro-brasileira. A música se compõe principalmente na junção dos sons do pandeiro, do atabaque, das palmas e dos cantos dos dançantes reunidos em roda.
Frevo
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